O sono corrompe a mente

É sabido que dormir demais deixa você lesado e dormir de menos deixa você com problemas taquicárdicos. Mas com ou sem sono, minha mente parece que não pára e as idéias ficam pipocando de lá pra cá e de cá pra lá... então, nas noites de insônia (devido à minha extrema atividade cerebral!), ou naqueles dias que eu simplesmente só penso em dormir, mas ainda assim quero aproveitar o dia e fazer algo produtivo, resolvi botar as idéias no papel... ops, no computador! Pode ser uma ferramenta útil, vai que um dia eu consiga chegar aos textos de Clarice??? You'll never know, and it's worth giving it a try!!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Subúrbio...

Vindo de Puno para Cuzco, tomei um ônibus que levou 7 horas para chegar ao seu destino final. Ver a paisagem peruana foi algo que me comoveu. Como disse a vocês, estive em Puno por um dia e meio e disse que a cidade ainda era muito feia, como as bolivianas. de Puno para Cuzco, vemos povoados muito pobres ainda e fiquei pensando na questão de ver tudo isso... acho que muitos gringos acham tudo isto exótico (e como eles fotografam a miséria, eu me recusei a tirar fotos de coisas que eu não achava bonita de se ver...), mas deve ser porque não há essa pobreza estampada na cara deles nos respectivos países... sei lá... talvez não tenha gostado muito da Bolívia e de Puno, já no Peru, por conta mesmo desta questão toda "miséria & turismo". No Brasil, nós temos tanta miséria quanto os nossos países vizinhos e ver essa miséria toda como parte de conhecer o local me parece uma coisa meio de circo. Não preciso ver a miséria dos outros. Preciso ver a riqueza deles para aprender a melhorar onde moro, assim como preciso trabalhar no meu país para que a miséria não seja tão eloquente.... será isso mesmo ou estou sendo utópica demais? Acho que eu pensei tanto nisso durante a viagem porque logo que entrei no ônibus, liguei uma música pra eu escutar e acabei ouvindo aquela música "Subúrbio", do Chico Buarque, sabe, e ele diz assim "Que futuro tem aquela gente toda?", e é bem isso que eu tenho pensado em toda esta viagem... nascer, crescer e viver em um lugar miserável... não que eles não tenham a chance ou a vontade de prosperar e muito menos ainda, que se mudar para uma cidade onde rola a riqueza significa que eles terão uma vida melhor, mas como a gente deixa tudo isso, toda essa miséria, chegar a esse ponto? Conheci um brasileiro na viagem que me falou que "ele vive em uma bolha".... E quem não vive nos dias atuais??
Fora as filosofias baratas, finalmente cheguei a Cuzco. Exceto o centro histórico, tudo o que o circunda é feio. Mas o centro é lindíssimo!! Essencialmente turístico, devo dizer, mas as ruas me lembraram uma mistura de Parati, no Rio, de Évora, em Portugal e algo com as cidades históricas de Minas Gerais. Mas tudo isso a la inca. Bem legal! Fiquei excepcionalmente feliz ao chegar aqui, pq vi que a viagem não iria continuar me deprimindo (por conta dos cenários não tão felizes!). Dei uma boa volta na cidade ontem e hoje, fui ver a tal da pedra dos 12 ângulos, a rua onde tem de um lado o muro dos incas e do outro lado, o muro dos espanhóis, a catedral, as ruínas de Qorikancha, as plazas e as ruelas. Fora ver o tanto de loja bonita que tem por aqui. Como eu disse, tudo bem turístico!! hehe...
Amanhã, finalmente vou a Machu Picchu. Desisti da idéia de fazer qualquer trilha, então comprei o ticket do trem pra ir e voltar no mesmo dia. Acordo ceeeedo e volto lá pelas oito. Acho que depois de ir a MP, sentirei algo do tipo "missão cumprida". Daí talvez eu encontre o meu amigo Daniel também (que eu conheci na NZ!) e que está por aqui também... Depois disso, vinte horas de busão em direção a Lima, o ponto final da viagem. Alguns dias para conhecer a capital peruana e já é hora de voltar ao Brasil. Mal tô me aguentando, porque, pra falar a verdade, essa viagem foi beeeem perrengue comparada com as minhas idas a Europa!! Imagina que não seria!! hahaha...
Estou feliz por ter estado na América do Sul, feliz por ter rodado por onde rodei, mas principalmente feliz por voltar para a casa, meu lar, meu país... que bom é passear e ter sempre esta sensação ao retornar! Significa que o mundo que me circunda não está em um solo determinado: está onde eu me construí como pessoa, onde tem aqueles que eu amo e onde posso entender e me expressar culturalmente!
Rezem por mim para que amanhã não chova em Machu Picchu! Volto para contar tudo para vocês!!

:o)

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