O sono corrompe a mente

É sabido que dormir demais deixa você lesado e dormir de menos deixa você com problemas taquicárdicos. Mas com ou sem sono, minha mente parece que não pára e as idéias ficam pipocando de lá pra cá e de cá pra lá... então, nas noites de insônia (devido à minha extrema atividade cerebral!), ou naqueles dias que eu simplesmente só penso em dormir, mas ainda assim quero aproveitar o dia e fazer algo produtivo, resolvi botar as idéias no papel... ops, no computador! Pode ser uma ferramenta útil, vai que um dia eu consiga chegar aos textos de Clarice??? You'll never know, and it's worth giving it a try!!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cena de jantar...

7 horas da noite. Jantar. Quatro pessoas sentadas a mesa. Todos comem em silêncio. Após terminarem suas refeições, as pessoas iniciam uma conversa. Ou tentam iniciá-la. Vejamos melhor...
Estava eu jantando hoje com meus vozinhos - o vô e a vó - e a minha hostsister, a Hanna. A mãe não estava em casa, então, não tínhamos nossa tradutora oficial. A gente comeu em um profundo silêncio nos acompanhando, o único barulho que nos acompanhava era os chomps-chomps da mastigação. Quando a gente terminou de comer, começou uma conversa sobre comida. Quer dizer, tentamos conversar. Imaginem só: a vó não fala uma linha em inglês, só russo. O forte do vô é o russo, claro, mas ele entende e fala um pouco de inglês, mas até a Hanna perto dele é advanced! A Hanna fala um pouco e entende mais o inglês, mas ainda assim, a gente tem que falar mais devagar com ela e por vezes, a gente tem que explicar de um outro jeito o que estamos tentando dizer. E ela sabe meia dúzia de palavras em russo, o que faz a avó achar que a Hanna é fluente em russo! E eu lá no meio, que não falo russo, nem coreano e só inglês e português, mas nenhum deles fala português. Ou seja, era a verdadeira Torre de Babel: todo mundo falava, mas pouco se entendia.
O vô começou a contar que morou um tempo na India. Depois disse que morou no Kazaquistão também. Depois contou que no Kazaquistão está cheio de coreanos. Aí entrou o assunto da comida. Disse que quando morava no Kazaquistão, ele tinha um amigo coreano que fazia não sei que comida coreana e que ele gosta muito dessa comida. A vó balançava a cabeça confirmando e soltava umas dez palavras em russo de aprovação (devia ser "é verdade, essa comida é muito gostosa! É uma iguaria!" ou coisa do tipo...). Aí foram tentar perguntar pra Hanna se ela sabia qual era essa comida e como se fazia. Detalhe: eles não sabiam o nome do prato. Aí tinham que explicar como se faz o tal do prato. Na primeira tentativa, já tiveram uma derrapada: o vô falou "carrots", mas com "aquele sotaque" e a Hanna não entendeu. Não sabia o que era o tal do carrot. Expliquei pra ela o que era. Aí ela disse o "Ahhhh!!!" típico da coreanada. Pronto. Agora ela sabia o que é carrot. Let's move on... haha... Daí o vô foi explicar que tem que cortar a cenoura bem fininho... e depois cortar a carne em pedaços longos também, mas bem fininhos, como macarrão. E depois cortava cebola e colocava todos os ingredientes juntos na panela para cozer. Mas tinha também que colocar molho de soja e aquele vinagre usado na culinária asiática. Depois de tanta dificuldade para explicar só isso, finalmente perguntaram: Hanna, você sabe que comida é essa? A Hanna balança a cabeça em negativa. E lá vão os velhinhos tentar explicar tudo de novo. O vô tirou metade da dispensa e dos utensílios domésticos pra fora pra ilustrar a receita pra Hanna. E a Hanna, mesmo assim, não sabia qual era a tal da comida. Aí a vó solta um grunhido, tentando verbalizar o nome do prato. Se ela sabia, porque não disse antes?? hahaha... Só que ela falou em russo. A Hanna, quando escutou, entendeu. E aí corrigiu o nome em coreano. E disse que sabia qual era esse prato, mas que não sabia fazê-lo, não. Demoraram tanto com essa conversa, pra ela não saber nem cozinhar a tal da comida pra gente?? hahaha...
Enfim, achei esse jantar cômico. Era cada um tentando explicar uma coisa de nada do jeito mais tosco possível... Como comunicação é importante, né?? A gente não sabe falar todas as línguas direitinho, mas a gente se vira... nem que seja com mímica. Ou mágica!

Nenhum comentário:

Postar um comentário