7 horas da noite. Jantar. Quatro pessoas sentadas a mesa. Todos comem em silêncio. Após terminarem suas refeições, as pessoas iniciam uma conversa. Ou tentam iniciá-la. Vejamos melhor...
Estava eu jantando hoje com meus vozinhos - o vô e a vó - e a minha hostsister, a Hanna. A mãe não estava em casa, então, não tínhamos nossa tradutora oficial. A gente comeu em um profundo silêncio nos acompanhando, o único barulho que nos acompanhava era os chomps-chomps da mastigação. Quando a gente terminou de comer, começou uma conversa sobre comida. Quer dizer, tentamos conversar. Imaginem só: a vó não fala uma linha em inglês, só russo. O forte do vô é o russo, claro, mas ele entende e fala um pouco de inglês, mas até a Hanna perto dele é advanced! A Hanna fala um pouco e entende mais o inglês, mas ainda assim, a gente tem que falar mais devagar com ela e por vezes, a gente tem que explicar de um outro jeito o que estamos tentando dizer. E ela sabe meia dúzia de palavras em russo, o que faz a avó achar que a Hanna é fluente em russo! E eu lá no meio, que não falo russo, nem coreano e só inglês e português, mas nenhum deles fala português. Ou seja, era a verdadeira Torre de Babel: todo mundo falava, mas pouco se entendia.
O vô começou a contar que morou um tempo na India. Depois disse que morou no Kazaquistão também. Depois contou que no Kazaquistão está cheio de coreanos. Aí entrou o assunto da comida. Disse que quando morava no Kazaquistão, ele tinha um amigo coreano que fazia não sei que comida coreana e que ele gosta muito dessa comida. A vó balançava a cabeça confirmando e soltava umas dez palavras em russo de aprovação (devia ser "é verdade, essa comida é muito gostosa! É uma iguaria!" ou coisa do tipo...). Aí foram tentar perguntar pra Hanna se ela sabia qual era essa comida e como se fazia. Detalhe: eles não sabiam o nome do prato. Aí tinham que explicar como se faz o tal do prato. Na primeira tentativa, já tiveram uma derrapada: o vô falou "carrots", mas com "aquele sotaque" e a Hanna não entendeu. Não sabia o que era o tal do carrot. Expliquei pra ela o que era. Aí ela disse o "Ahhhh!!!" típico da coreanada. Pronto. Agora ela sabia o que é carrot. Let's move on... haha... Daí o vô foi explicar que tem que cortar a cenoura bem fininho... e depois cortar a carne em pedaços longos também, mas bem fininhos, como macarrão. E depois cortava cebola e colocava todos os ingredientes juntos na panela para cozer. Mas tinha também que colocar molho de soja e aquele vinagre usado na culinária asiática. Depois de tanta dificuldade para explicar só isso, finalmente perguntaram: Hanna, você sabe que comida é essa? A Hanna balança a cabeça em negativa. E lá vão os velhinhos tentar explicar tudo de novo. O vô tirou metade da dispensa e dos utensílios domésticos pra fora pra ilustrar a receita pra Hanna. E a Hanna, mesmo assim, não sabia qual era a tal da comida. Aí a vó solta um grunhido, tentando verbalizar o nome do prato. Se ela sabia, porque não disse antes?? hahaha... Só que ela falou em russo. A Hanna, quando escutou, entendeu. E aí corrigiu o nome em coreano. E disse que sabia qual era esse prato, mas que não sabia fazê-lo, não. Demoraram tanto com essa conversa, pra ela não saber nem cozinhar a tal da comida pra gente?? hahaha...
Enfim, achei esse jantar cômico. Era cada um tentando explicar uma coisa de nada do jeito mais tosco possível... Como comunicação é importante, né?? A gente não sabe falar todas as línguas direitinho, mas a gente se vira... nem que seja com mímica. Ou mágica!
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